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sábado, 12 de maio de 2012

A EFEMERIDADE DA VIDA: Filosofando sobre o paradoxo na existência eterna



Imagem extraída do Google Image
Prof. Leonardo Miranda
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“A consciência da morte tem o poder de libertar [...]. [...] livres para morrer, os homens estariam livres para viver”. (ALVES, Rubem. O que é Religião)

Sem querer entrar em detalhes filosóficos ou teológicos, há basicamente duas interpretações sobre a existência: a primeira afirma que após a morte todo ser retorna à inexistência e acabou! Nunca mais existiremos; a segunda afirma que a morte é apenas uma passagem e a existência em si é eterna. Então, compactuando desta segunda interpretação, pondero sobre o paradoxo contido na existência eterna.

Não é interessante quando observamos o desabrochar de uma flor? Quando presenciamos o nascimento de um pássaro ou quando descobrimos que alguns insetos possuem apenas 24 horas de vida e outros não mais que algumas semanas ou meses? E quando assistimos a ultra-sons e acompanhamos uma gravidez por todos os nove meses? Isto causa em nós uma sensação de renovo, de vida, de existência!

Francis Schaeffer em seu livro O Deus que se revela cita o teólogo e filósofo Sören Kierkegaard em sua observação de que “o problema não está naquilo que não existe, e sim, naquilo que existe”. Com esta menção Schaeffer discorre sobre a grande pergunta que habita no coração humano que é de onde vêm todas as coisas e ainda comprova que o espanto diante da existência é um fenômeno impregnado em toda a humanidade independente do tempo e do lugar.

Apropriando-me, ainda, de outro autor, Jostein Gaarder escreve em seu livro O Mundo de Sofia que precisamos ter a capacidade de nos admirarmos com as coisas. Afinal, é esta admiração, este espanto, esta perplexidade que nos impulsiona a um envolvimento profundo e respeitoso com a realidade existente e tudo o que nela há! É por meio da admiração que nos perguntamos sobre a origem e o sentido da vida; é por meio de nos espantarmos com tudo o que existe é que nos perguntamos como os seres funcionam harmonicamente; é por meio da perplexidade que nos curvamos reverentemente à vida, à existência e ao Autor da vida! Enfim, é diante da existência e por meio desta sensibilidade que somos tomados por um estado de quem se encontra como que transportado para fora de si e do mundo sensível, por efeito de exaltação mística ou de sentimentos muito intensos de alegria, prazer, admiração e temor reverente! Ficamos em êxtase!

E assim, nalgum momento de nossa história, após experimentarmos a magnificência da realidade e sermos impactados com a glória da nossa própria existência e dos demais seres e entes como reflexo dos atos criativos de Deus, de repente nossos olhos são abertos, como se escamas caíssem ou como se o efeito “narcotizante” passasse e aí nos deparamos com o horror da morte! Como se em fração de segundos passássemos de um lindo sonho a um horripilante pesadelo daqueles que nos dão a impressão de que nunca acordaremos! E, como consequência, nos damos conta da transitoriedade ou efemeridade da vida!

A vida em si é bela! É um presente de Deus para nós! Todavia a morte nos ceifa esta dádiva; ela é o inimigo mais cruel que qualquer pessoa pode enfrentar já sabedora de que vai perder a batalha. Parafraseando Kelly James Clark em seu livro Quando a Fé não é suficiente: no enterro de duas pessoas, não haverá nenhuma distinção entre o pó de um leigo e o pó de um pároco! E pela certeza deste fenômeno, todo ser humano, depois deste encontro com a consciência de sua própria finitude, também se pergunta: como posso viver a vida de modo digno, sábio, certo de que não estou desperdiçando tempo, de que estou gozando das benesses da existência corretamente?

Para os que em nada crêem é desesperador, para nós que cremos não é menos impactante! Ninguém quer morrer, ninguém quer ter seu nome lançado no suposto esquecimento! Então, na luta por responder esta pergunta, como se já não bastasse a tentativa de igualmente respondermos outras questões cruciais como a origem de todas as coisas e sobre o sentido da vida além de como experimentá-la da melhor maneira possível, ainda nos deparamos com a divisão das opiniões, como se estivéssemos sozinhos, sem referência, sem alguém para nos orientar sobre a melhor maneira de viver.

Há muitas pessoas que diante da lucidez sobre a efemeridade da vida se tornam completamente pessimistas procurando viver em sua subjetividade visando apenas a busca do prazer temporário; já outros, consideram que as crenças e os valores tradicionais são infundados e que não há qualquer sentido ou utilidade na existência. E há um terceiro grupo, mais heterogêneo, o dos religiosos, que para não caírem no desespero buscam nas mais variadas formas de religião institucionalizada as respostas que confortem ou ao menos camuflem suas angústias.

Todavia nem o caminho dos pessimistas e nem o caminho dos religiosos os livrará da finitude do fôlego de vida! Então o que fazer? Ante as múltiplas respostas, não me coloco como o responsável por dar conta de responder completamente todas as dúvidas existenciais, mas como alguém que sinceramente pondera também sobre esta temporalidade. Proponho, então, duas sugestões: compreender o que significa viver para a glória de Deus e refletir sobre o equilíbrio entre a consciência e o desejo. 

Quando compreendo a Bíblia, que não é um simples livro, mas é a revelação de Deus para nós, consigo entender o problema do paradoxo da efemeridade da vida contido na existência eterna. Aprendo que a morte existe em consequência do pecado do ser humano, mas Deus não nos criou para a morte. Assim sendo, sua história não é fictícia, e muito menos reduz Jesus a um ser humano que por capacidades ético-religiosas foi homenageado depois de morto sendo elevado à condição de ser divino. Não! Antes, Jesus é o Deus encarnado que vive, morre e ressuscita para resgatar a imagem e semelhança de Deus no homem e resgatá-lo do poder da morte. Por sua ressurreição o paradoxo da efemeridade da vida é anulado; mesmo que morramos, temos a promessa da nossa ressurreição para a vida eterna, que é a continuidade da existência. Essa obra de Jesus é chamada de redenção e não foi feita porque merecemos, mas sim pela graça de Deus, pelo seu favor que nós não merecemos!

A consequência de tal compreensão me leva à reflexão sobre a importância do equilíbrio entre a consciência e o desejo. Imagine se descobríssemos que temos apenas mais seis meses de vida ou que precisamos de um transplante de algum órgão vital ou em breve morreremos. Além do susto, do medo súbito que provocará uma reação descontrolada inicialmente, certamente que toda a nossa agenda seria modificada. Tudo o que consideramos de mais precioso passaria por uma revisão, todos os sacrifícios perderiam seu valor e certamente trocaríamos nossa rotina, por só mais um pouco de vida!

Veríamos que o presente dado por Deus, a vida, possui exuberância, fartura, profusão, riqueza, entusiasmo, vivacidade, imponência pela sua grandiosidade, pelo seu esplendor e beleza. Estar consciente da existência nos conduz a apreciar cada momento poeticamente e a abandonar o que não vale a pena no gasto de energia vital como ressentimentos, rancores e vingança. E estas informações já estão contidas no Evangelho ensinado por Jesus!

Não somos perfeitos por causa do pecado que habita em nós, mas também não somos completos porque Deus assim nos fez! A própria pedagogia afirma que somos seres inacabados, em constante construção, em constante condição de interagirmos com a realidade e dela aprendermos cada vez mais sobre si e sobre nós.

E é por causa desta imperfeição existente em nós, decorrente do pecado, é que particularmente não acredito que ninguém consiga o tempo todo viver de modo equilibrado entre a consciência da vida, da existência, dos deveres e direitos e o desejo que conduz ao prazer, mas, por outro lado, tal condição nos leva a confiar na obra redentora de Jesus.

E então? O que fazer? Aí está, no âmago desta consciência sobre a obra de Jesus, o valor devido à vida! Vivemos porque Deus nos deu vida, e aprendemos dia a dia como viver bem, com qualidade, com bom proveito, quando procuramos viver para a glória de Deus, pois somente com a sua auto-revelação encontrada na Bíblia é que temos os parâmetros para percebermos e interpretarmos a realidade com coerência e, igualmente por meio do conhecimento, da vivência e da experimentação do conteúdo bíblico é que compreendo que, mesmo sabendo que eu deveria viver de modo equilibrado entre a consciência e o desejo e nem sempre ou quase nunca conseguindo, sou grato a Jesus por me alcançar com sua graça, me dar vida eterna e por me perdoar por minhas falhas, meus erros, meu pecados e me permitir aprender com meus próprios erros!

Esta vida é efêmera? Sim! Mas a existência é eterna! Se Cristo não voltar antes morreremos algum dia? Sim! E tudo isto é um grande paradoxo? Talvez! Parece uma loucura? Sim! Mas se a morte existe, foi por ter sido pronunciada como sentença da parte de Deus como consequência do pecado de Adão e Eva. Mas, mesmo ninguém sabendo quando chegará a sua vez, temos uma resposta sobre a melhor maneira de vivermos? Do ponto de vista filosófico não, mas do ponto de vista teológico já refletimos em duas sugestões: viva a cada dia para a glória de Deus, de modo que sua crença, seu pensar e seu comportamento o glorifiquem! No mais, se você entender que não dá conta, ao menos se conscientize que uma das formas de viver bem, é viver de modo equilibrado entre a consciência e o desejo. Será isto possível?

Pense nisto!

sábado, 5 de maio de 2012

A TEOLOGIA QUE ME TORNOU INCRÉDULO



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Pr. Márcio A. Leão
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Lembro-me do segundo ano da minha caminhada no cristianismo, ainda um neófito que se maravilhava com as manifestações dos cultos pentecostais e um grande admirador de uma boa pregação. Foi em um culto de domingo que pela primeira vez pude ouvir uma missionária, pregadora do evangelho, formada em teologia, esboçando uma mensagem “rhema” que impactou meu coração. Foi naquela noite que tomei uma decisão: “- vou fazer teologia”!

Ao final do culto procurei a missionária e declarei a ela o meu desejo, queria ser um pregador como ela, e acreditava que isso só seria possível por meio da teologia. Mas o único conselho que recebi dela foi: “- Compre uma Bíblia de estudo e um livro da história dos hebreus, isto será sua teologia”, afirmou a missionária.

Confesso que fiquei um pouco decepcionado com este conselho, pois acreditava que ela ficaria feliz por saber que sua pregação despertou no coração de um novo convertido o desejo de estudar a Palavra de Deus, até porque meu pastor sempre criava empecilho em todas as vezes que eu dizia que queria estudar teologia. Mas confesso que hoje, como pastor, eu entendo o porquê de tanto receio de muitos pastores não apoiarem seus membros a cursarem teologia: ela nos torna pessoas incrédulas!

Com o passar de poucos anos logo me tornei obreiro da igreja, vindo, a seguir, a responsabilidade de pastorear uma igreja local. Diante de tamanho compromisso me lembro que após o encerramento do culto de comemoração da inauguração da nova congregação, uma irmã veio até a mim e me disse: “Pastor o senhor sabe que agora precisa fazer um curso de teologia, pois pastorear é uma responsabilidade muito grande”. Naquela noite percebi que havia chegado o momento de me ingressar em um seminário teológico.

Confesso que não foi nada fácil no início. Eu acreditava em muitas coisas que com o tempo foram se desfazendo diante de mim, crenças que aos poucos foram sendo confrontadas constantemente pelo conhecimento e ensinamento dos mestres que tive a oportunidade de conhecer; em alguns momentos dentro da sala de aula costumava abraçar a Bíblia quando ouvia coisas que a principio eram absurdas para mim, talvez naquele momento difíceis de compreender. A lógica foi algo massacrante, que me levava refletir na realidade num ponto de vista bíblico, onde meus questionamentos e conceitos se rendiam a verdade de Deus.

Sendo assim, com o tempo, depois de minha formação, os livros que leio e as constantes reflexões bíblicas foram me tornando cada vez mais incrédulo, e isso graças a oportunidade que Deus me deu em fazer teologia. Mas, porque incredulidade? Você deve estar se perguntando. Como eu disse anteriormente, eu acreditava em muita coisa que não acredito mais.

Acreditava que o homem poderia fazer alguma coisa pela sua salvação, que este deveria um dia em sua vida “aceitar” a Cristo com seu Senhor e salvador, mas a teologia me levou a refletir na condição da humanidade perante Deus, o quanto a mesma é incapaz de buscar e de aceitar a Cristo e que na verdade essa salvação só é possível mediante a manifestação da graça de Deus: “Todo aquele que o Pai me dá..." (Jo 6:37a), "E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo" (Jo 12:32), e em particular para mim, um texto que resume tudo isso se encontra em (Jo 6;44): “Ninguém pode vir a mim se o Pai que me enviou não o trouxer...”. Isto não contando os demais textos que poderíamos também refletir (Rm 3:10-12, 23 / Ef 2:8,9).

Acreditava que se eu cometesse algum pecado, isso me tirava o direito de ser ouvido por Deus, que se eu não participasse das campanhas, Deus não me concederia as bênçãos esperadas, mas a teologia me levou a refletir no ensinamento paulino como que nos mostra que a fidelidade de Deus não é dependente da nossa fidelidade (2 Tm 2:13).

Acreditava na prosperidade por meio do ato de dizimar e ofertar e na verdade o que se percebe é que tais práticas para muitos não passa de moeda de troca, ou seja, “eu dou e o Senhor tem que me retribuir o dobro”.

Enfim, acreditava na “santidade papal” dos pastores: “Não se pode tocar no ungido do Senhor!“; tornei-me incrédulo com relação as músicas tocadas nas congregações pois por meio da teologia descobri que as mesmas não passam de uma expressão do nosso narcisismo embutido.

A teologia me trouxe muitas alegrias, hoje posso desfrutar da verdadeira liberdade que há em Cristo Jesus, não vivo mais como um prisioneiro de dogmas eclesiásticos, que não nos levam a lugar nenhum, antes, vivo a alegria de saber o quanto Deus nos ama, e a prova deste amor se percebe no simples fato de saber que tudo o que ele fez, o fez não por merecimento nosso, mas por puro favor imerecido.

Mas também a teologia me trouxe sofrimentos. Certa feita um professor do seminário, hoje um grande amigo me disse que todo aquele que pensa sofre e se sente só, e isso tem sido uma triste realidade para todos aqueles que se comprometeram com a verdade. Hoje sou tarjado por alguns, até mesmo da própria casa, como um desviado, aquele que perdeu a fé, para alguns amigos minhas reflexões teológicas são incoerentes e inaceitáveis por causa das experiências deles, que eles insistem valerem mais do que o conteúdo bíblico.

Às vezes fico pasmado de perceber quanto sincretismo há na fé cristã de hoje, e o mais triste é que a maioria das pessoas ignora a luz da verdade, preferem acomodar-se em seus “mundinhos” de crenças equivocadas do que buscarem o verdadeiro conhecimento, e digo isso não só como um teólogo, mas também como pastor.

Incredulidade sim é o que a teologia me trouxe, não acredito mais naquilo que nunca foi a verdade, não acredito mais nas mentiras disseminadas pelos ignorantes que não se debruçaram na busca do conhecimento, não acredito mais nas mentiras massacrantes da teologia da prosperidade, que nem sei porque recebe o nome “teologia”, não acredito mais nos falsos lideres cujo único objetivo é o inchaço de suas congregações. Contento-me agora com as Sagradas Escrituras de Deus, e graças a Deus que foi por meio da teologia que hoje não vivo mais debaixo da ignorância dos incautos que persistem na escuridão de suas sabedorias.

Então te faço um convite, alie-se aos incrédulos bíblicos, àqueles que preferem não compactuar com a mentira, que preferem ser incrédulos a estes falsos ensinamentos, mas apegados a verdade bíblica. Vamos valorizar mais esta preciosidade que temos que é a Bíblia, Revelação Especial de Deus para nós!

Sola Scriptura